Fragatas italianas. Marinha foi "honesta", afirma Gouveia e Melo
- 18/09/2026 08:25
- Redação
Na leitura de Gouveia e Melo, o valor mais elevado pode justificar-se com a necessidade de manutenção e de adaptação dos equipamentos às águas portuguesas e atlânticas. Quanto à influência política no negócio, o almirante na reserva desdramatiza e prefere focar-se na certeza de que a Marinha foi “séria”.
“Não consigo dizer isso [se houve mão política]. O que consigo dizer é que, na perspetiva da minha casa – tive 45 anos nessa Marinha –, não estou a ver a Marinha a alinhar numa coisa dessas. Portanto esse preço, parece-me a mim, tem a ver com uma negociação relativamente importante de garantir a sustentabilidade durante muitos anos dessa capacidade, porque adquirir uma capacidade que, passado 3 ou 4 anos, deixa de existir seria um erro de palmatória”.
Gouveia e Melo não alinha totalmente com quem critica a opção estratégica da compra das fragatas. Admite que podem ter valor operacional, mas avisa: o esforço de integração destes equipamentos convencionais na Marinha não “podem pôr em risco” a modernização desse ramo das Forças Armadas.
“É um processo de transição que requer ter capacidades convencionais robustas, mas simultaneamente desenvolver novas capacidades. O perigo destas fragatas não são a necessidade da existência delas, é este programa atrasar essa transformação futura. Porque pode ocupar recursos humanos e financeiros a um ponto que pode prejudicar a transição para o futuro e, então, o programa não teria vantagens, teria desvantagens”, avisa.
O PS já pediu a audição do ministro da Defesa e não exclui chamar as chefias militares ao Parlamento sobre essa matéria. Gouveia e Melo defende que deve haver “escrutínio” na Assembleia da República, na Presidência e nas infraestruturas políticas e militares, mas avisa que há dados e informações estratégicas que não devem ser divulgadas publicamente.
“Muitas vezes, estes investimentos requerem algum sigilo natural, porque tudo o que se disser outros atores muito atentos podem ouvir, fazer as suas lógicas e perceber as nossas fragilidades e os nossos potenciais. Portanto, tem de haver algum cuidado. Agora, nos termos devidos e nos órgãos devidos não pode haver opacidade”, considera.